O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou um novo programa de combate ao crime organizado que permite a participação de empresas privadas norte-americanas em operações cibernéticas contra organizações criminosas transnacionais estrangeiras.
A medida foi estabelecida por meio de um memorando assinado por Trump e poderá atingir grupos considerados ameaças à segurança dos Estados Unidos. Entre as organizações que podem estar na mira estão o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), facções brasileiras que foram classificadas pelos Estados Unidos como organizações terroristas estrangeiras em junho de 2026.
O que a ofensiva prevê?
Segundo as informações divulgadas, empresas contratadas pelo governo americano poderão atuar em operações destinadas a monitorar, interromper, degradar ou destruir sistemas digitais utilizados por organizações criminosas.
A iniciativa será supervisionada pelo National Coordination Center (NCC), ligado à estrutura de segurança interna dos Estados Unidos. As empresas participantes precisarão ter contratos com o governo e receber autorização prévia por escrito para realizar as operações.
O governo norte-americano pretende utilizar recursos tecnológicos do setor privado para ampliar a capacidade de combate às redes criminosas que atuam internacionalmente.
PCC e Comando Vermelho estão entre os possíveis alvos
O PCC e o CV ganharam atenção especial de Washington após o governo Trump classificá-los como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) e posteriormente como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs).
Em comunicado divulgado pelo Departamento de Estado americano, o governo afirmou que as duas organizações possuem milhares de integrantes e redes criminosas que ultrapassam as fronteiras brasileiras.
A classificação permite aos Estados Unidos ampliar instrumentos financeiros, jurídicos e de segurança contra integrantes e estruturas relacionadas às facções.
Operação não significa ataque militar
Apesar do termo “ofensiva”, a medida anunciada está relacionada principalmente ao ambiente digital. O programa prevê ações cibernéticas autorizadas pelo governo americano e não representa, por si só, uma autorização para uma intervenção militar no Brasil.
As operações deverão seguir critérios estabelecidos pelo governo dos EUA, com supervisão e autorização formal.
Relação com a política brasileira
A decisão ocorre em meio ao aumento da pressão dos Estados Unidos sobre organizações criminosas brasileiras. Em maio, o governo americano anunciou a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas, enquanto autoridades brasileiras já haviam manifestado preocupação com as possíveis consequências diplomáticas e econômicas da medida.
Ainda não há indicação pública de que uma operação específica contra sistemas do PCC ou do CV tenha sido realizada. O que existe, neste momento, é a autorização para a criação e utilização desse novo mecanismo de operações cibernéticas.
Fonte: informações divulgadas sobre o memorando do governo dos Estados Unidos e Departamento de Estado dos EUA.